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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Amnésia (Memento)

Lenny criando mais um memento...

Este é o quinto texto de uma série que estou escrevendo para uma disciplina da Graduação em Filosofia da UFPR denominada Filosofia e Cinema, em que procuro exercitar a reflexão acerca dos problemas filosóficos por meio de filmes. Creio que filmes podem ser bons meios de apresentação de problemas filosóficos na medida em que apresentam situações que desafiam nossas crenças fundamentais e, assim, desencadeiam a reflexão filosófica. Os textos dessa série são destinados àqueles que já assistiram os respectivos filmes, pois contêm revelações sobre seus respectivos enredos.

Diferentemente dos outros textos dessa série, neste vou me deter um pouco mais na trama do filme, pois a sua estrutura narrativa é bastante complexa.

O filme Amnésia (Memento) conta a história de Leonard, ou Lenny (Guy Pearce), um investigador de fraudes de uma companhia de seguros que sofre um assalto no qual a sua mulher é estuprada e, assim ele pensa, morta, e ele, após uma forte pancada na cabeça provocada por um dos dois assaltantes, perde a capacidade de fazer novas memórias que durem mais de 10 ou 15 minutos. Lenny é capaz de lembrar de quase tudo o que aconteceu antes da pancada na cabeça. Sua última lembrança é a visão de sua mulher caída no chão do banheiro ferida. Desde então, a cada 10 ou 15 minutos mais ou menos ele perde todas as memórias que fez nesse curto período de tempo. Durante o assalto, ele matou o estuprador de sua mulher. Mas o assaltante que o feriu escapou. Desde então, ele só tem um objetivo na vida: encontrar e matar esse assaltante.

A estrutura do filme possui duas narrativas. Uma em que Lenny conta ao telefone a um policial os eventos que aconteceram antes do incidente. Essas cenas são em preto e branco e a narrativa é linear (direto do passado para o futuro), embora intermitente, em cujos intervalos se dá a segunda narrativa, cujas cenas são coloridas. Essa segunda narrativa não é linear. Ela vai do futuro, onde Lenny mata Teddy (Joe Pantoliano), o policial disfarçado que o ajuda a encontrar o assaltante fugitivo, para o passado. Essa segunda narrativa pode ser descrita assim: a narrativa dá um passo para frente e dois para trás. Suponha que o esquema abaixo represente a linha do tempo indo da esquerda para a direita.

1---->2---->3---->4---->5---->6---->7---->8---->9---->

A segunda linha do tempo começa no ponto 8, vai até o ponto 9, volta até o ponto7, vai até o ponto 8, volta até o ponto 6, e assim por diante. As duas linhas do tempo se encontram no final, quando e primeira chega em algum ponto entre 7 e 8.

Dado que não é mais capaz de reter novas memórias, Lenny usa alguns recursos para poder saber sobre os eventos passados que ele vivencia após incidente e sobre a identidade do assaltante fugitivo.[1] Ele só confia em informações escritas com a sua própria letra e, por isso, mantém um dossiê sobre a sua investigação e eventualmente escreve pequenos bilhetes pra si mesmo e os mantém nos bolsos de sua roupa. Ele também tatua por todo o seu corpo informações sobre fatos essenciais acerca do incidente e do assaltante fugitivo. O assaltante é um homem branco cujo nome é John G., ou James G. Todas essas informações são pistas que o ajudam na caçada ao assaltante. Outro recurso que ele usa é uma máquina fotográfica Polaroid (ver foto), em cujas fotos reveladas em segundos ele também faz anotações a mão, para poder se informar principalmente sobre pessoas e lugares, sobre quem ele pode e quem ele não pode confiar, sobre onde mora, onde as pessoas trabalham, etc.

Antes do incidente, Lenny investigou o caso de um segurado, Sammy Jenkis, que aparentemente tinha exatamente o mesmo problema de memória que ele mais tarde passou a ter. A recordação que Lenny tem dessa investigação é que Sammy era casado com uma mulher diabética e que ele dava indícios de que talvez seu problema não fosse físico, mas psicológico. A mulher de Sammy, segundo Lenny, tampouco parecia acreditar que ele não fosse capaz de reter as novas memórias, especialmente depois de conversar com Lenny, que concluiu a investigação afirmando que ele era fisicamente capaz de fazer novas memórias. Ela resolve fazer um teste: ela pede a Sammy que lhe aplique uma injeção de insulina a cada 15 minutos, esperando que em algum momento ele lembre que já fez isso há pouco e que se dê conta de que, se aplicar novamente, pode matá-la. Ele, segundo Lenny, não lembrou e ela entrou em coma irreversível.

Por causa da sua condição, Lenny foi usado por Teddy, um policial corrupto cujo verdadeiro nome é John Gammell, e por Natalie (Carrie-Anne Moss), uma bar girl que Lenny conheceu através de Teddy. Natalie namorava um traficante, Jimmy Grants, que Teddy queria matar. Teddy faz Lenny pensar que esse traficante é John ou James G. Lenny mata Jimmy e se apossa das suas roupas, carro e dinheiro que estava no porta-malas. Natalie não sabe que o assassino do seu namorado é Lenny. O comparsa de Jimmy, Dodd, pensa que Natalie está com um dinheiro de Jimmy e a ameaça para que ela o devolva. Natalie então manipula Lenny para que mate Dodd, embora ele acabe não fazendo isso.

No final, Teddy acaba revelando a Lenny que Sammy não era casado, que Lenny provou que Sammy estava tentando fraudar a companhia de seguro fingindo a perda de memória, que a mulher de Lenny não morreu, que ela, e não s suposta mulher de Sammy, era diabética, que ela não agüentou mais viver com Lenny naquela condição e o abandonou e que Lenny já havia matado o verdadeiro John G. e outros homens que Teddy o fez acreditar que eram John G. Lenny portanto havia inventado um passado para si e manipulado suas anotações de tal forma que o verdadeiro passado não fosse descoberto por ele e de tal forma que ele não lembrasse que matou John G. Mas por que? Porque paradoxalmente isso lhe daria mais motivação para encontrar John G. e para manter-se disciplinado no seu método de registrar as coisas sobre o passado que ele deveria saber. A busca por John G. era a única coisa que dava sentido a sua vida após o incidente, que o fazia pensar que havia uma continuidade entre a pessoa que ele foi antes do incidente e a pessoa que ele passou a ser após o incidente. Ameaçado por Teddy de perder o sentido de sua vida, Lenny resolve se livrar de Teddy, fazendo a si mesmo pensar que Teddy, John Gammell, é John G.

O enredo do filme suscita várias questões filosóficas, principalmente em epistemológicas, de filosofia da mente e éticas. Vou me concentrar em questões que nos fazem refletir sobre a relação entre memória e identidade pessoal e a relação entre a mente e os artefatos usados para nos informar sobre eventos passados, presentes e futuros.

Tendemos a pensar que quando uma pessoa passa a sofrer de um problema de memória a partir do tempo t, a pessoa antes de t e a pessoa depois de t são a mesma. Mas qual é o critério para se dizer que é a mesma pessoa? É claro que se trata do mesmo corpo dotado de uma mente. Mas isso é suficiente para se dizer que se trata de uma mesma pessoa? Num sentido fraco de "pessoa", sim. Chamo de sentido fraco porque, nesse sentido, há menos condições para que algo seja uma pessoa. Mas de fato usamos a palavra pessoa nesse sentido. Podemos muito bem dizer que Lenny é uma pessoa que passou por tudo aquilo que é narrado no filme. Mas esse é o único sentido de "pessoa"?

No comentário ao filme Ela, argumentei que o transtorno dissociativo de identidade mostrava que o número de pessoas não pode ser identificado ao número de corpos humanos com mente, pois esse transtorno mostra a possibilidade de que duas pessoas ocupem o mesmo corpo. Disso conclui que uma pessoa é uma totalidade unificada de estados e processos mentais. O detalhe importante para a presente discussão é justamente a unidade desses estados e processos mentais. Essa não é uma unidade localizada num instante do tempo, mas uma unidade que se estende ao longo do tempo. Os elementos dessa totalidade unificada podem mudar. Uma pessoa pode mudar suas crenças, por exemplo. Mas tais elementos pertencem sempre a uma totalidade mutante unificada que se estende ao longo do tempo. Podemos dizer que a duração de uma pessoa, nesse sentido, ao longo do tempo é a duração de uma mesma coisa que unifica uma totalidade de estados e processos mentais. A pergunta agora é: antes e depois de adquirir o problema de memória, Lenny é a mesma coisa que unifica uma totalidade de estados e processos mentais?

Para respondermos a isso temos que entender melhor o que é essa unidade, como se dá a unificação de estados e processos mentais. Parece que a memória é uma condição necessária para essa unificação, embora, talvez, não seja suficiente. Uma pessoa a em um intervalo de tempo T1 e uma pessoa b em um intervalo de tempo subseqüente T2 são a mesma pessoa ao longo do tempo se b em T2 é capaz de lembrar (embora, talvez, de fato não lembre) de ao menos algumas coisas sobre a em T1. Se b é incapaz de lembrar qualquer coisa sobre a em T1, então a e b não são a mesma pessoa.[2] Claro que podemos esquecer eventos sobre nós mesmos que ocorreram em um dia inteiro. Mas se não temos um problema na nossa capacidade de reter memórias, ainda somos capazes de lembrar isso que esquecemos. Não lembrar não é o mesmo que ser incapaz de lembrar. Muitas vezes não lembramos de algo por muito anos, até que algum evento nos faz lembrar novamente aquilo que não lembrávamos. O problema de Lenny não é que ele simplesmente não lembra do que vivenciou meia hora atrás. Seu problema é ser incapaz de lembrar, pois suas memórias são simplesmente apagadas. Em linguagem de informática, é como se Lenny não fosse capaz de inserir mais nada no seu disco rígido (a memória permanente) e tivesse uma memória RAM que é limpa a cada 15 minutos. Não há nada que, depois desses 15 minutos, Lenny seja capaz de lembrar. Portanto, depois de ter adquirido o problema de memória, os seus estados e processos mentais não possuem uma unidade que dure mais do que 15 minutos.

Os estados e processos mentais que Lenny tem por 15 minutos talvez tenham poderes causais sobre seus estados e processos mentais futuros. Ele se refere a essa possibilidade quando afirma que Sammy deveria aprender, por instinto, a evitar tocar na pirâmide de metal eletrificada usada no teste a que foi submetido para se averiguar se ele estava ou não fingindo. Relações causais podem acontecer sem serem conhecidas ou lembradas. Mas isso parece ser insuficiente para a identidade pessoal ao logo do tempo, pois parece insuficiente para a unidade de estados e processos mentais que dura ao longo do tempo, na medida em que falta a memória.

A situação de Lenny pode ser descrita assim: ele parece acordar, a cada 15 minutos, de um coma que se iniciou no dia do assalto, como se ele não tivesse vivido nada do que de fato viveu até então. Isso é exatamente o que diz Clive Wearing, um sujeito conhecido por sofrer do pior caso do mesmo problema de memória que Lenny possui (assista a um documentário  sobre esse caso dublado para o espanhol aqui). A memória de Wearing dura 7 segundos! Seu caso é pior que o de Lenny porque, além de ter uma memória muito mais curta, ele também perdeu a maior parte da memória sobre o que vivenciou antes de adquirir o problema. Wearing, que era um maestro, lembra de coisas básicas como falar, tocar piano, etc. Mas ele reconhece apenas a sua, agora, ex-mulher. Ele sequer lembra que tem filhos... A cada intervalo de 15 minutos, Lenny mantém uma relação de identidade pessoal com a pessoa que ele foi antes do incidente, pois ele ainda é capaz de lembrar coisas sobre si desse período. Mas sua mente, após o incidente, não é mais a mente de uma pessoa ao longo do tempo. Após o incidente, seus estados e processos mentais não possuem mais nenhuma unidade ao longo do tempo. Num sentido forte de "pessoa", não é mais a mesma pessoa que vivencia todas aquelas experiências.

Tanto Lenny quanto Wearing ainda mantém alguma conexão com a pessoa que foram antes de passarem a ter o problema de memória, na medida em que ainda retêm certas habilidades e algumas lembranças adquiridas antes de passarem a ter o problema de memória. Mas eles não conseguem mais continuar sendo aquela pessoa por mais de 15 minutos, pela boa razão de que eles não conseguem continuar sendo uma pessoa por mais de 15 minutos. A esposa de Wearing, no documentário linkado acima, expressa esse ponto de forma dramática: "É como ser uma esposa e uma viúva ao mesmo tempo. Eu perdi Clive, ou a maior parte dele há quase três anos [a declaração foi dada em 1988], porque sem consciência, está praticamente morto em muitos sentidos." "Sem consciência" provavelmente quer dizer o mesmo que "sem memória do que vivencia".

Lenny procura contornar o seu problema de memória por meio dos seus mementos (ver nota [1]). O problema é que seus mementos não funcionam como normalmente funcionam para quem não tem o seu problema. A cada 15 minutos ele tem de examiná-los todos novamente para se informar do que aconteceu. O filme enfatiza isso no começo, mas depois esse ponto vai se tornando secundário, podendo levar o espectador a não lhe dar o devido peso na trama. Ocorre que em 15 minutos ele não pode examinar toda a informação que ele registra. Por isso, ele recorre a resumos, que são feitos de forma precária, devido a limitação de tempo e do fato de se basearem em outros resumos. O ponto é que Lenny não consegue recuperar completamente as funções perdidas pela de sua mente por meio dos seus mementos. Todavia, usando este método ele parece estar numa condição melhor que Sammy. Ele se vangloria disso, de ter um método para se informar sobre o passado e de ser disciplinado na sua aplicação. Lenny recupera ao menos parte das funções perdidas pela sua mente. E isso nos leva ao problema filosófico seguinte, que diz respeito à relação entre mente e cérebro.

Dualista e materialistas sobre a relação mente corpo, apesar do seu desacordo, tendem a concordar sobre um ponto: aquilo que ou é o correlato material da mente (dualismo), ou é a própria mente (materialismo), é o cérebro. Seja ela identificada com o cérebro, ou estando relacionada a ele de certa forma, nossa mente está, de alguma forma, em nós. Dessa perspectiva, se estamos na sala 606 do Departamento de Filosofia da UFPR, parece absurdo dizer que nossa mente, ou mesmo parte dela, está na sala 600, na outra extremidade do corredor, exceto metaforicamente, querendo dizer que nossa atenção está voltada para algo que está ou acontece na sala 600. Hoje em dia usamos muitos recursos para ajudar a nossa mente a funcionar melhor. Para planejarmos uma viagem, por exemplo, usamos o Google Maps, ou outro recurso semelhante. Se esquecemos nosso aparelho eletrônico (computador, tablet ou celular) na sala 600, normalmente diremos que esquecemos de uma ferramenta muito útil para otimizar as tarefas da nossa mente. Mas normalmente não diremos que esquecemos parte da nossa mente lá. Nossa mente se serve das informações contidas no Google Maps, mas as informações contidas lá não fazem parte da nossa mente, pensamos.

Entretanto qual critério usamos para dizer que aquele aparelho não faz parte da nossa mente? Ele é algo material que contém um conjunto de informações que acessamos sempre que quisermos, se tudo funcionar normalmente.  Não é exatamente isso que ocorre quando acessamos as informações da nossa memória? Elas não estão armazenadas em algo material, uma parte do nosso cérebro, que acessamos sempre que quisermos? Às vezes esse acesso é bloqueado por alguma causa. Mas o acesso à informação contida no aparelho às vezes é igualmente bloqueado por alguma causa. Uma coisa é certa: o aparelho não faz parte do nosso cérebro. Mas o que está em questão aqui não é a identidade do cérebro, mas a identidade material da mente ou a identidade do correlato material da mente. Negar que a identidade material da mente ou do seu correlato material se reduza ao cérebro não implica ser dualista (embora não contradiga isso).[3]

O acesso à informação é diferente nos dois casos. Para acessar as informações da minha memória, basta que meu cérebro opere, ao passo que para acessar as informações do aparelho, tenho que mover meu corpo, perceber o aparelho, etc. Mas essa distinção é mesmo relevante? Suponha que no futuro tenhamos implantes eletrônicos no cérebro que permitem que ele tenha uma conexão sem fio com a internet. Nesse caso, não haveria aquela diferença entre o modo de acessar a informação. Mas o substrato material dessas informações ainda estaria fora do cérebro.

Uma outra diferença que parece relevante é que as informações do Google Maps não foram produzidas por mim. Mas por que essa seria uma diferença relevante para a presente questão? Muita informação é armazenada no nosso cérebro sem que tenhamos consciência disso. Somo, digamos, passivos em boa parte das nossas atividades cognitivas.

Mas -- alguém poderia objetar -- se o Google Maps fizesse parte da minha mente, ao menos parte da minha mente seria comum à mente de outras pessoas! E dai? Não é exatamente isso que acontece com a mente de Samantha em Ela?

Lenny não consegue recuperar plenamente as funções perdidas pela sua mente. Mas parece que ele as recupera parcialmente. E isso é mais uma razão para pensar que seus mementos constituem sua mente.

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[1] "Memento", o nome original do filme, designa em inglês qualquer objeto usado por alguém para ajudá-lo a lembrar de uma pessoa ou evento passado, tal como um souvenir, ou aqueles presentes que chamamos de "lembrança" em português. Portanto, "amnésia" não é uma tradução de "memento". O problema de memória de Lenny é considerado pela literatura médica como um tipo de amnésia. Todavia, aquilo que normalmente as pessoas entendem por "amnésia" é o caso exatamente contrário: quando a pessoa não perde a capacidade de reter novas memórias, mas perde as memórias sobre eventos que ocorreram antes do início da amnésia. É por isso que Lenny nega que tenha amnésia, quando explica a sua condição. Dessa perspectiva, o título brasileiro do filme é enganador.

[2] Normalmente considera-se que David Hume tenha apresentado um argumento contra a realidade do eu (self), aquilo que dá unidade à mente, cuja forma resumida é a seguinte: "Da minha parte, quando adentro inteiramente no que chamo eu mesmo [myself], sempre me deparo com uma percepção particular ou outra, de calor ou frio, de luz ou sombra, de amor ou ódio, de prazer ou dor. Eu nunca consigo capturar a mim mesmo [myself] em qualquer momento sem uma percepção, e não posso observar na exceto a percepção." (Tratado da Natureza Humana, 1.4.6.3; tradução minha) Não quero entrar em questões exegética aqui. Mas passagens como essa pode ser interpretadas de forma mais fraca ou de forma mais forte, ou como a expressão de um ceticismo que nega qualquer realidade do eu, ou como negando um certo tipo de realidade, para além dos mecanismos de associação, relações causais e memória, com se o eu fosse uma espécie de entidade substancial cuja identidade não é determinada por tais mecanismos, relações e operações. Seria muito implausível que Hume estivesse negando que, anomalias a parte, há uma unidade da mente que se estende ao longo do tempo e (que podemos dizer que é uma mesma pessoa).

[3] Na filosofia contemporânea da mente, alguns filósofos, como David Chalmers, negaram que o substrato material da mente se limite ao cérebro. Eles desenvolveram a teoria da mente estendida, segundo a qual tudo que usamos para possibilitar ou facilitar os estados e operações da nossa mente, faz parte dela.




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